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sexta-feira, dezembro 19, 2008

CANA NELE!

Se a moda pega ninguém mais irá parar na prisão. Bandido desse tipo precisa que prendam e escondam a chave! Liberdade só depois de pagar todos os dias da condenação! O pior nem é isso, mas o caso da SECULT que o secretário foi condenado por prevaricação e tudo ficou, redondo, em 900 reais. Tem dó!

Euler Ivo condenado a 4 anos de prisão
Welliton CarlosDa Editoria de Cidades
O vereador Euler Ivo (PDT) foi condenado ontem a 4 anos de prisão pelo crime de concussão. O político, que preferiu não concorrer nas eleições deste ano, foi denunciado pelo Ministério Público por ter se aproveitado do mandato de vereador, entre janeiro de 1997 e dezembro de 2000. Na época, ele teria determinado a exoneração de 17 assessores de seu gabinete. Em seguida, Euler nomeava novamente a equipe. Conforme a sentença, o político teria se apropriado das verbas rescisórias no valor de R$ 35 mil. O caso chegou a ser flagrado pela equipe de reportagem da TV Globo, sendo veiculado nacionalmente. Segundo o Ministério Público, Euler Ivo obrigou oito de seus assessores a lhe repassar seus salários, parcial ou integralmente, em épocas diferentes, sob pena de perda de seus cargos.Euler Ivo não vai para a cadeia. O juiz Marcelo Fleury Curado Dias, da 9ª Vara Criminal de Goiânia, substituiu a pena que priva a liberdade por outra mais branda. O político será obrigado a prestar serviços para a comunidade e pagar 20 salários mínimos ao Hospital Araújo Jorge.
http://www.dm.com.br/impresso/7714/politica_e_justica/59213,euler_ivo_condenado_a_4_anos_de_prisao

domingo, dezembro 07, 2008

Goiânia: A CULTURA CONDENADA

A cultura condenada de Iris Rezende
http://www.dm.com.br/impresso/7691/opiniao/56896,a_cultura_condenada_de_iris_rezende
PX Silveiraexecutivo do Instituto ArteCidadania e vice-presidente do Instituto Pensarte
Não adianta reclamar. Sabe-se que ficar velho é a única forma de não se morrer jovem. Na política, a sobrevivência por longo tempo tem valor dobrado. Pois, além de se permanecer vivo biologicamente, manter-se vivo politicamente é mais difícil ainda.São vários os segredos da longevidade dupla de Iris Rezende. Todos ao alcance do mais simples mortal. Mas é que com Iris é diferente, pois em quantos de nós surge uma ou outra idéia, assim a esmo, que deixamos passar? Pois a diferença é que com Iris, cada idéia é uma causa que tem sua realização como conseqüência – e no menor prazo possível. Agora, dos vários segredos estampados no livro aberto que é sua vida, o mais determinante é a ética, que se traduz em lisura e transparência, em retidão e vigilância. Só pela ética e o rigor com que a aplica para si e para seus auxiliares, Iris já seria um político de se admirar. Para ele, não bastam as aparências, tem que corresponder desde o mais fundo das intenções. Ou não?Em recente episódio, Iris determinou que sua nova equipe deverá ser composta apenas por aqueles que queiram se dar à cidade sem esperar nada em troca, descartando qualquer interesse alheio ao trabalho público, que deve ser apenas o dever cumprido de seus auxiliares e não um investimento político para se cacifarem às próximas eleições. Ponto para ele, novamente. E neste embalo, eu gostaria de colaborar alertando para alguns fatos que talvez o prefeito ainda desconheça, como aqueles fatos que rondam a sua Pasta da Cultura, área que acompanho com interesse de cidadão e de cidadania.A notícia chegou durante a última campanha para prefeito e vereadores na capital goiana. Foi preciso esperar um pouco para ver até onde ela atingiria. Mas como reação, só se ouviu o silêncio. De nossa parte, nada falamos para não servir de alimento das fogueiras eleitorais. Em tempo de eleição, ao invés de abordar o assunto desagradável para todos, preferimos expressar claramente nossa preferência majoritária, em dois artigos, falando das qualidades do nosso candidato a prefeito, visivelmente superiores às de seus concorrentes.Passadas as urnas, já passa, também, da hora de externar nossa indignação, tanto mais veementemente quanto a convicção de ter esperado para não ser mal interpretado. De início, é imperioso registrar que espanta-nos a falta de reação do próprio poder municipal central. Pois a notícia a que nos referíamos não deixa dúvidas. Flagrado em atividades internas que o beneficiariam em detrimento dos produtores culturais da cidade, depois de denunciado por artigos (vide O Mau Cheiro da Cultura, mês de maio do ano pasado) e reportagens neste e em outro importante diário, o atual secretário municipal de Cultura foi finalmente considerado culpado por seus atos. Uma vez condenado, sem recorrer, o secretário assumiu sua culpa, negociando o pagamento de uma pena bisonha, tendo em vista os valores em jogo.Ora, como pode um servidor público da mais alta patente confessar seu crime no âmbito administrativo e mesmo assim permanecer no posto, como se nada tivesse acontecido? Afinal, essa é ou não é uma prefeitura de lisura ética e respeito com o cidadão? Sequer desculpas ou explicações o referido gestor tratou de providenciar junto à imensa legião de artistas e produtores culturais goianienses, com os quais concorria ilegalmente no intuito de se beneficiar do dinheiro público que ele próprio está encarregado de gerir.Sendo assim, o atual secretário municipal fechou acordo no 1º Juizado Especial Criminal, acatando sua condição de réu na esfera criminal, negociando o pagamento de três parcelas mensais, o que não impede de o mesmo ser também condenado em inquérito civil na área da administração pública, cujo processo de inquérito está aberto na 19ª Promotoria de Justiça. Em falas, o secretário tem a ironia de afirmar que o processo se refere à sua pessoa física e não à figura do secretário. Já eu tenho pleno certeza que me refiro ao secretário e não à sua pessoa física.Iris tem suas virtudes, que são muitas, mas não pode se distrair com os seus subordinados, porque as brasas, se assopradas, podem pegar fogo. Em que pese minha admiração pelo excelente trabalho que o sr. prefeito tem realizado não somente na administração de Goiânia, mas nos seus 50 anos de vida pública, registro aqui uma cobrança à displicência da prefeitura, que permite em seus quadros de primeiro escalão um administrador que reconhece sua culpa de improbidade imputada pelo Ministério Público – e continua no cargo.O Ministério Público já fez a sua parte. Temos que fazer a nossa. Pergunto: pode tal figura continuar no cargo sem onerar a ética e jogar um pouco de lama em todos que fazem o governo municipal, seus companheiros de ações, reuniões e planejamento?Mas que seja dita a verdade por inteiro. Na época do ocorrido, o atual secretário era apenas um diretor da pasta, o procedimento de improbidade administrativa que o teria beneficiado, na verdade foi aceito e aprovado pelo então secretário, professor Kleber Adorno, amigo, incentivador e padrinho político do réu condenado. Para se ter uma idéia, os dois trabalham juntos há anos, como uma dupla ciosa que age em torno da cultura desde os primórdios da década de 1990, alternando-se no mando, toda vez que o primeiro sai para se candidatar a um mandato público, seja pelo PSDB ou pelo PMDB, como ocorrido recentemente.Na cronologia da avidez e do desrespeito à razão pública, não estamos sós. No Brasil inteiro – e Goiás não é exceção –, a impunidade chega a ser um acinte ao cidadão de bem. Nessas últimas eleições, o povo goianiense deu claros sinais de que quer mudar, mas não pede uma mudança de nomes ou de partidos, mas de paradigmas. Não custa nada continuar sonhando. Mesmo porque o múltiplo e longevo Iris Rezende, que tanta estrada tem ainda pela frente, não é daqueles de permitir desaforos à fé pública entre seus comandados. Em uma época em que devemos louvar e preservar a todo custo a lisura pública, é preciso ir até as raízes do mal. E nesse caso percebemos que ela está plantada um pouco mais embaixo. Mais uma vez corre-se o risco de ser visto apenas o peixe pequeno. Pessoa física ou secretário, o fato é que se perde a primariedade. E a cultura perde a confiança. Por uma simples lei da biologia conferida pela máxima popular, sabemos que laranjas podres, se não atiradas fora, apodrecem todo o cesto. Cabe agora ao prefeito iluminar devidamente este caso, mostrando a todos que sabe que o que está em jogo é a representação do poder perante a sociedade da qual ele próprio emana.PX Silveira é vice-presidente do Instituto Pensarte

Vergonha do Centro Cultural Oscar Niemeyer
Cheguei esbaforido ao Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON) na terça-feira da semana passada. Para variar, estava atrasado. Era de minha responsabilidade a organização da parte de palestras e mesas-redondas da Feira Brasil Central Music (iniciativa do Sebrae digna dos maiores elogios e que foi um sucesso tanto entre o público que compareceu quanto entre os convidados que participaram do evento). Já fui pegando informações sobre quem seria meu ponto de apoio no trabalho, testando som, testando o datashow, verificando se tudo estava em ordem. Quando todo check list estava feito, saí do auditório Lygia Rassi (que fica embaixo daquela pirâmide vermelha) e fui observar o espaço.No meio daquela imensidão de cimento e debaixo daquele sol implacável das 14 horas, senti vontade de chorar: o descaso com as instalações do centro cultural é de comover até mesmo um coração concretado. Qualquer pessoa que tenha a mínima dimensão do que significa ser cidadão se indigna com o deterioramento e a subutilização do espaço. Qualquer um que fique puto ao olhar seu contracheque e vê a fortuna descontada de imposto de renda, qualquer um que fique puto quando compra um produto qualquer e sabe que parcela significativa dele está indo para o cofre público por meio do ICMS, qualquer um que fique puto com o peso da carga tributária em nosso país sentiria o mesmo que senti.É um absurdo que tamanho volume de dinheiro público tenha sido investido ali e a comunidade não veja esse recurso voltando à mesma por meio de atividades culturais. Eventos como a destacável Feira Brasil Central Music e o tradicional Goiânia Noise Festival tinham que ser rotina no CCON e não exceções. A biblioteca, que até agora não existe, deveria estar repleta de obras e recebendo dez escolas públicas diariamente, fazendo com que crianças e jovens da escola pública pudessem ter contato com o esplendor da literatura. Mas não. Está tudo às traças. Dinheiro público jogado fora. E pensar que uma das maiores demandas da produção cultural goianiense é justamente o espaço médio, categoria na qual o Palácio da Música Belkiss Spenziere se enquadra e contemplaria com excelência tal reivindicação.Mexer com dinheiro público é mexer com coisa mais que séria. O governante deveria ter o mesmo zelo ao lidar com o que foi arrecadado junto à sociedade tal qual o sacerdote tem ao trabalhar com a hóstia sagrada. E o que estão fazendo com o CCON é um acinte ao contribuinte goiano. O término da obra (inacreditavelmente não acabada até hoje e inaugurada sabe-se lá por que) é mais que urgente. A organização de uma agenda fixa de eventos seria o segundo passo para a boa utilização do espaço. Trazer a comunidade para dentro do local promovendo o diálogo entre as diferentes manifestações artísticas é o ponto final desse processo.Não é difícil colocar o CCON como local central da cultura em Goiás. Basta um pouco de trabalho e vontade política. O problema é que não sei se essa existe para que a coisa aconteça no belo espaço na saída para Bela Vista.Pablo Kossa é jornalista. E-mail: pablokossa@bol.com.br
http://www.dm.com.br/impresso/7691/opiniao/56978,vergonha_do_centro_cultural_oscar_niemeyer

quinta-feira, maio 22, 2008

CASA COR E A CADEIA.

É preciso comentar???

CASA COR E A CADEIA.

DM – Opinião (20/05/08)
http://v5.dm.com.br/opiniao/a_casa_cor_e_a_cadeia
Previno àqueles leitores que este artigo não tem nada a ver com o anterior em que denunciava manobras em benefício próprio do atual secretário municipal de Cultura e sugeria ao prefeito da cidade de Goiânia uma resposta à sociedade que ainda não foi dada. Não, senhores, não sou nenhum justiceiro. Esse artigo de agora trata de simples amenidades. Para os que as desejam, vamos a elas.Tem dias que não dá para segurar.

Viver em Goiânia pede não se assustar com as exceções da civilização e ser complacente com os amigos, especialmente os poetas, artistas, escritores e arquitetos. Todos mergulhados a fundo no diuturno complô da mediocridade. O mecanismo é simplório e fácil de aprender, funciona assim: não fale de mim que eu não falo de você. Seu livro é ótimo. Vai no meu coquetel que eu vou no seu. O cd dele é muito bom. Excelente atuação. Seus quadros são maravilhosos. Arrasou, hein.... Hajam penas. Pena de pavão e pena de dó. É assim, de elogio sobre elogio, que se constrói entre nós, com muito orgulho, a portentosa e invisível catedral da mediocridade, instalada no centro das atenções dos que são capazes de nos ver de fora. A conseqüência é gravíssima. O clima de cumplicidade vai se dissimulando e insuflando falsos brios nos desavisados a ponto de chegar o dia em que, todos em silêncio, vemos o amigo passar nu, a caminho da Academia que, enfim, lhe renderá a imortalidade.

Não que esteja acima de qualquer suspeita, mas devo me confessar um pária voluntário deste sistema, alguém que ainda consegue refúgio nas novas gerações. Novas, porém movediças. Estas também, com o passar do tempo, aos poucos e sucessivamente vão sendo carcomidas e envelhecidas em seu íntimo. Fazer o quê? O consolo é que sempre aparece outra e depois outra, para alimentar a caldeira da esperança. Mas Deus é mesmo cruel.

Expõe na carne e no espírito dos homens a verdade que eles querem ocultar para si mesmo e para o espelho da sociedade. E somos todos, na melhor das hipóteses, uns idiotas filosofais. Não só os goianos, vale dizer. E aí que vem o pior, pois saber disso nos acomoda e faz acelerar ainda mais fundo na descida.Decadência com elegância, já diziam gostosamente os filósofos franceses pré-Lobão com sua música Decadance avec Elegance, aliás, apresso-me a dizer: uma muito linda música!

Aqui, o filósofo a que recorro é o misterioso Dom Escuro, da Campininha, ouvindo-o dizer que em Goiás só tem estrelas. Se quisermos bandidos, temos que mandar buscar em Hollywood.Hajam palmas. Como corolário merecido do nosso complô da mediocridade, bate-se palmas todos os anos para a Casa Cor, uma juntada de propostas comerciais travestidas de soluções de se morar e se viver bem. No meu entender secular, este evento tão chique é apenas uma recorrência à gordura amanhecida para se fritar o pastel de hoje e, verdade seja acrescida, é um luxuoso tributo ao carbono (control c, para os entendidos).

Na Casa Cor de todos os anos deleitam-se, por ordem de entrada, os novos ricos, alguns desavisados e os que gostam mesmo de serem enganados. Vão, todos, absorvendo na íntegra e rapidamente reproduzindo as regras que os credenciarão a serem os mais isso e mais aquilo, expondo o extremo bom gosto enlatado.Em relação aos advogados de porta de cadeia, os arquitetos casa-coristas não inovam em coisa alguma, pois os são de porta de lojas. Apenas mais ousados e mais vaidosos. E não sou eu quem diz. Espalhadas em cartazes, night and days e outdoors pela cidade, sejam nas imediações e mesmo, ostensivamente, nas portas das lojas de móveis e decorações; as fotos de muitos deles estão como isca na pescaria da clientela desinformada e insegura que lhes é cativa na ceva.

O mundo que estes ditos arquitetos inventam e os valores que eles invertem chegam a tal ponto que hoje a legítima pretendente a moradora esclarecida não compra sequer uma almofada sem ouvir o seu.... arquiteto. E estes, despejados de suas faculdades todos os anos em um mercado sem parâmetros criativos que lhe sejam próprios, há muito deixaram de ser os das grandes linhas e das soluções contextuais para se tornarem meros decoradores de tijolos, impingindo no freguês o gosto alheio, acrescido de seus 10% de tudo, é claro. Está aí a Casa Cor, em sua enésima edição, que não me deixa mentir. Comprove. A visitação vai até o final do mês, penso eu.

Vá e veja como os arquitetos de hoje competem, entre si, para ser apenas os geniais decoradores de interior (ou seria do interior?), numa acirrada disputa de mercado que, de certo, apenas alijou do processo os outrora humildes profissionais das combinações de cores, móveis e almofadas.

É claro que temos exceções na nossa incipiente arquitetura, que aliás, também apresso-me a dizer, é gloriosa! Estes, não são achados facilmente. Estão a quilômetros de distância da cadeia do gosto maquiado (e do desgosto do dia seguinte) de que a Casa Cor é somente a parte mais visível.E para que a gente não saia por aí dando tapas na cabeça por sermos os goianos nos mares desta e de outras mediocridades, aqui vai mais um consolo.

A Casa Cor é uma espécie de franchising nacional e acontece tal e qual em praticamente todas as praças onde há os ditos arquitetos ávidos por clientela-novista e, em contrapartida, as pessoas inseguras que não sabem bem como gastar o dinheiro que têm.Decididamente, para parecer ainda mais cruel, acho que Deus está dando asas às cobras.

PX Silveira é documentarista e autor de Arquitetura do Espelho

quinta-feira, maio 15, 2008

MAU CHEIRO NA CULTURA:OPS!

Opinião (15/05/2008)
Os jornais e o fim do mundo
Para além da repercussão que suas páginas ecoam nos mais diversos tipos de leitores, acho gratificante escrever no Diário da Manhã porque a paga é maior que a de qualquer outro órgão da imprensa brasileira.

Aqui, é a liberdade que nos é oferecida em contrapartida ao ato de escrever e ler. Ela é praticada até as últimas conseqüências, por ambos os lados: seja a liberdade do articulista que traz a público suas idéias, seja a do jornal que as respeita e as veicula. Não poderia ser diferente, haja vista a própria história deste jornal e a sua presença na ampla história goiana.

Portanto, tem sido assim que, como conseqüência pessoal, tenho trazido aqui não apenas minhas idéias, por vezes vagas e estapafúrdias, mas também algumas denúncias, sejam elas na área pública, em geral, ou na área cultural, especificamente.

Durante este tempo como articulista que, despretensiosamente, já vai reunindo uma meia centena de artigos, aprendi a não hesitar em apontar o que acho errado, mesmo que isso me custe ir contra amigos e companheiros ou quem assim esperava que fosse.

Devo confessar, contudo, que a sensação que tenho agora é que me iludia ao esperar que este esforço cívico à custa do sacrifício de certos relacionamentos viesse a apresentar alguns resultados práticos, se não a mim, ao menos à sociedade, que se veria melhorada a partir das referidas áreas específicas das minhas frustradas denúncias.

A maior dessas frustrações diz respeito ao mau cheiro que exalara descaradamente da Secretaria Municipal de Cultura. Tanto assim que foi exatamente este o título do artigo, aqui publicado alguns meses atrás e que trazia meu espanto diante do apoderamento por interesses privados daquele órgão da prefeitura.A coisa chegara a tal ponto que um seu diretor se via beneficiado seis vezes, simultaneamente, pelo resultado de um edital que tratava da distribuição de algo em torno de R$ 1,5 milhão de reais. O resultado do artigo foi muito tititi e, ao contrário do que se esperava, nada de ação ou sequer de explicação. Seja por parte do seu superior imediato, que na certa tinha lá seus interesses, seja por parte do próprio prefeito, que talvez pela falta de tempo para ler pequenos artigos nos jornais, tenha deixado passar essa oportunidade de enquadrar seus subordinados, tal como fora feito exemplarmente em tantas outras ocasiões ao longo de sua brilhante história como político e administrador.

E o motivo pelo qual me vêm essas lembranças jornaleiras é saber pela imprensa que, como conseqüência das denúncias, não só nada foi feito, inclusive pelo Ministério Público, como o protagonista principal foi agora premiado com a mais alta promoção possível naquela Casa do Povo, ascendendo ao posto de secretário.

Contra esse senhor, agora mui digníssimo secretário, nada tenho de pessoal, só mesmo de social e coletivo, contagiado pelas aspirações de uma enorme legião que produz dignamente sua arte e espera que ela seja de alguma maneira respaldada por uma política cultural, que afinal nunca se apresentou nessa administração.

E diga-se de passagem: as denúncias às quais me refiro foram posteriormente registradas por repórteres e outros jornalistas da imprensa goiana. Ou seja, vieram à luz em outras ocasiões. E nada, repito, absolutamente nada foi feito. Da parte do então secretário, ouviu-se a respeito tão-somente um enorme e estratégico silêncio.

E da parte do prefeito, bem, já dissemos, ele não tem tempo para ler as folhas da cultura na imprensa goiana. Só pode ser esse o motivo.Mas daí, da sutil indiferença, a distinguir o feitor destinando-o para um posto decisivo e de grande visibilidade em sua administração, há um passo demasiadamente largo e que é preciso que seja reconsiderado, a tempo. De outra forma, senhores, de nada adiantaria a liberdade de um jornal, sempre arriscada a desagradar aos poderosos; de nada adiantaria o desprendimento de articulistas sérios e comedidos; de nada adiantaria o espanto diante das coisas que percebemos injustas; e de nada adiantaria nossa indignação, que é a última trincheira da fé pública.

Ou então o mundo e essa prefeitura é assim mesmo e só eu que ainda não percebi?

PX Silveira é vice-presidente do Instituto Pensarte e coordenador do Porto das Artes
Fonte: Goiânia, 15 de maio de 2008, quinta-feira, edição nº 7496 DM - OPINIÃO

CULTURA NÃO É ADORNO

ESSA SAIU NO POPULAR, NO MAGAZINE, MAS DEVIA ESTAR NA PÁGINA POLICIAL, QUE FALTA DE VERGONHA!

"Sem grandesmudanças
Representantes de entidades culturais avaliam que Doracino Naves vai dar continuidade à gestão de Kleber Adornona Secretaria Municipal de Cultura
por Edson Wander para o jornal O POPULAR 13/05/2008.

A maioria dos dirigentes de entidades culturais de Goiânia ouvida pelo POPULAR fala em “continuidade” na indicação de Doracino Naves para a Secretaria Municipal de Cultura (Secult). Naves foi empossado na pasta na sexta-feira pelo prefeito Iris Rezende, numa solenidade conjunta de novos secretários no Paço Municipal.

Os dirigentes das entidades culturais da capital avaliam que a indicação era “natural” e “esperada”, comentaram a “identificação” de Naves com o ex-secretário Kleber Adorno e evitaram comentar a notícia publicada no sábado pelo POPULAR mostrando a ligação do novo secretário com projetos aprovados no ano passado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, época em que ele presidia a comissão que selecionava esses projetos.

Naves participou de um documentário sobre a imprensa em Goiás como trabalho de final do curso de jornalismo, que ele concluiu recentemente na UCG. O documentário captou R$ 21 mil pela lei para ser realizado. Também no ano passado, dois projetos de patrocínio à igreja Ministério Comunidade Cristã também foram aprovados. Os projetos, no valor total de R$ 33 mil, destinavam-se à captação de patrocínio a um programa de TV (Raízes Jornalismo Cultural) cujo apresentador é o próprio Naves.

Ao POPULAR, o novo secretário negou haver conflito de interesse nos casos e disse que não foi o autor do projeto do documentário e que os patrocínios à igreja não foram concluídos por insucesso na captação. Ele também frisou que seu principal trabalho à frente da Secult “será continuar o grande trabalho que Kleber Adorno vinha executando na secretaria”.

Kleber Adorno deixou a pasta por sugestão do próprio prefeito para concorrer a uma vaga na Câmara de Vereadores. Aidenor Aires, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, vê com “otimismo” a troca de comando na secretaria. “Acho que era o nome esperado. Ele é identificado com o trabalho que vinha sendo feito por Kleber Adorno na secretaria e com o próprio prefeito. Vejo como otimismo a nomeação dele, uma ruptura nesse momento não seria bom”, disse Aires, que é integrante do Conselho Municipal de Cultura, cuja composição foi indicada em sua quase totalidade pelo prefeito e continua sendo alvo de uma ação no Ministério Público.
Beto Leão, presidente da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD – Seção Goiás) ressaltou o “importante trabalho” que Naves já desempenhou pela cultura na época em que foi presidente da Fundação Pedro Ludovico Teixeira (atual Agepel) e como vereador de Goiânia. “Sou amigo dele e acho que ele tem feito um trabalho importante pela cultura ao longo do tempo. Foi ele o autor de uma lei nos anos 80 que acabou abrindo caminho para a criação de eventos como o Festcine em Goiânia. Acho que ele fará um bom trabalho de continuidade da gestão do Kleber Adorno, como a criação do [Centro Municipal de Cultura] Goiânia Ouro”, afirmou Leão.
A presidente da Associação de Amigos do Museu de Arte de Goiânia (Amag), Miriam Baeta, e o presidente da Fundação Otavinho Arantes, o cantor Xexeo, enfatizaram o estilo “conciliador” de Naves e acharam que ele foi “a melhor opção” na substituição. “É uma pessoa muito capacitada, muito íntegro e interessado no que faz. A secretaria vai ganhar muito com ele”, disse Miram Baeta, da Amag.
Para Gilberto Correia, presidente da Associação dos Cantores e Compositores de Goiás (Asccom), a indicação de Naves era previsível e ele vai dar continuidade ao trabalho do ex-secretário. “Mesmo que queira, não terá tempo suficiente para imprimir alguma mudança.”
No coro contrário à maioria dos dirigentes culturais, Eládio Garcia, presidente da Associação Goiana de Cinema e Vídeo (AGCV), é crítico à nomeação e fala em “continuísmo” ao invés de “continuidade”. “Temos um embate com toda a diretoria da secretaria já de muito tempo. A indicação dele não é a continuação, é o continuísmo do que o Kleber Adorno vinha fazendo, uma gestão autoritária e clientelista”, criticou.

Na mesma linha vai Norval Berbari, presidente da Federação de Teatro de Goiás (Feteg). “Ele \[Doracino\] já foi presidente da Fundação Pedro Ludovico Teixeira na época em que o Kleber Adorno foi secretário de Estado da Cultura, era então o braço direito do Kleber. Acho que era um nome natural para a secretaria agora e penso que vai continuar a mesma política que nós combatemos, essa coisa de atender às demandas culturais da cidade no balcão ao invés de implantar critérios democráticos de gestão da cultura”, disse Berbari.Ontem pela manhã, a assessoria da Secult organizou um café da manhã reunindo funcionários e produtores culturais da cidade para homenagear o novo secretário.