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quinta-feira, agosto 14, 2008

LITERATURA GOIANA??

Se um curioso se meter a pesquisar a literatura goiana, vai se deparar com uma aberração interessante.

A da pena a serviço de quem lhes paga ou pelo menos de quem lhes oferece benesses. Os escritores locais, e especificamente uns tipos como Brasigóis Felício(funcionário da SECULT), Carlos Willian Leite, leia-se Revista Bula, recebem a encomenda de escrever “testículos” em defesa do renomado plagiador de teses de doutorado, candidato a vereador, e sem nenhum pudor, escrevem, elevam a santidade a criatura, que francamente, como diria minha doce avó, não merece que crédito nem na lavanderia.

É um fenômeno interessante e que explica a pouca qualidade da literatura goiana. Diga-se de passagem, quem se sobressai na área, não o faz por escrever loas em favor de tipos que ficarão no folclore da cultura goiana, isso se a polícia não chegar primeiro.

Mas, todos sabem que a única explicação para tão fervorosa devoção, é o amor incomensurável aos “reais” retirados do Fundo de Apoio a Cultura para “fomentar” revistinhas, livrecos e documentários de qualidade duvidosa, subproduto da “curtura” goiana, mas que coloca na mesa de cada um desses medíocres “escritores goianos” a galinhada e o arroz com pequi de todo dia. Isso que é fome!

quinta-feira, maio 22, 2008

CASA COR E A CADEIA.

É preciso comentar???

CASA COR E A CADEIA.

DM – Opinião (20/05/08)
http://v5.dm.com.br/opiniao/a_casa_cor_e_a_cadeia
Previno àqueles leitores que este artigo não tem nada a ver com o anterior em que denunciava manobras em benefício próprio do atual secretário municipal de Cultura e sugeria ao prefeito da cidade de Goiânia uma resposta à sociedade que ainda não foi dada. Não, senhores, não sou nenhum justiceiro. Esse artigo de agora trata de simples amenidades. Para os que as desejam, vamos a elas.Tem dias que não dá para segurar.

Viver em Goiânia pede não se assustar com as exceções da civilização e ser complacente com os amigos, especialmente os poetas, artistas, escritores e arquitetos. Todos mergulhados a fundo no diuturno complô da mediocridade. O mecanismo é simplório e fácil de aprender, funciona assim: não fale de mim que eu não falo de você. Seu livro é ótimo. Vai no meu coquetel que eu vou no seu. O cd dele é muito bom. Excelente atuação. Seus quadros são maravilhosos. Arrasou, hein.... Hajam penas. Pena de pavão e pena de dó. É assim, de elogio sobre elogio, que se constrói entre nós, com muito orgulho, a portentosa e invisível catedral da mediocridade, instalada no centro das atenções dos que são capazes de nos ver de fora. A conseqüência é gravíssima. O clima de cumplicidade vai se dissimulando e insuflando falsos brios nos desavisados a ponto de chegar o dia em que, todos em silêncio, vemos o amigo passar nu, a caminho da Academia que, enfim, lhe renderá a imortalidade.

Não que esteja acima de qualquer suspeita, mas devo me confessar um pária voluntário deste sistema, alguém que ainda consegue refúgio nas novas gerações. Novas, porém movediças. Estas também, com o passar do tempo, aos poucos e sucessivamente vão sendo carcomidas e envelhecidas em seu íntimo. Fazer o quê? O consolo é que sempre aparece outra e depois outra, para alimentar a caldeira da esperança. Mas Deus é mesmo cruel.

Expõe na carne e no espírito dos homens a verdade que eles querem ocultar para si mesmo e para o espelho da sociedade. E somos todos, na melhor das hipóteses, uns idiotas filosofais. Não só os goianos, vale dizer. E aí que vem o pior, pois saber disso nos acomoda e faz acelerar ainda mais fundo na descida.Decadência com elegância, já diziam gostosamente os filósofos franceses pré-Lobão com sua música Decadance avec Elegance, aliás, apresso-me a dizer: uma muito linda música!

Aqui, o filósofo a que recorro é o misterioso Dom Escuro, da Campininha, ouvindo-o dizer que em Goiás só tem estrelas. Se quisermos bandidos, temos que mandar buscar em Hollywood.Hajam palmas. Como corolário merecido do nosso complô da mediocridade, bate-se palmas todos os anos para a Casa Cor, uma juntada de propostas comerciais travestidas de soluções de se morar e se viver bem. No meu entender secular, este evento tão chique é apenas uma recorrência à gordura amanhecida para se fritar o pastel de hoje e, verdade seja acrescida, é um luxuoso tributo ao carbono (control c, para os entendidos).

Na Casa Cor de todos os anos deleitam-se, por ordem de entrada, os novos ricos, alguns desavisados e os que gostam mesmo de serem enganados. Vão, todos, absorvendo na íntegra e rapidamente reproduzindo as regras que os credenciarão a serem os mais isso e mais aquilo, expondo o extremo bom gosto enlatado.Em relação aos advogados de porta de cadeia, os arquitetos casa-coristas não inovam em coisa alguma, pois os são de porta de lojas. Apenas mais ousados e mais vaidosos. E não sou eu quem diz. Espalhadas em cartazes, night and days e outdoors pela cidade, sejam nas imediações e mesmo, ostensivamente, nas portas das lojas de móveis e decorações; as fotos de muitos deles estão como isca na pescaria da clientela desinformada e insegura que lhes é cativa na ceva.

O mundo que estes ditos arquitetos inventam e os valores que eles invertem chegam a tal ponto que hoje a legítima pretendente a moradora esclarecida não compra sequer uma almofada sem ouvir o seu.... arquiteto. E estes, despejados de suas faculdades todos os anos em um mercado sem parâmetros criativos que lhe sejam próprios, há muito deixaram de ser os das grandes linhas e das soluções contextuais para se tornarem meros decoradores de tijolos, impingindo no freguês o gosto alheio, acrescido de seus 10% de tudo, é claro. Está aí a Casa Cor, em sua enésima edição, que não me deixa mentir. Comprove. A visitação vai até o final do mês, penso eu.

Vá e veja como os arquitetos de hoje competem, entre si, para ser apenas os geniais decoradores de interior (ou seria do interior?), numa acirrada disputa de mercado que, de certo, apenas alijou do processo os outrora humildes profissionais das combinações de cores, móveis e almofadas.

É claro que temos exceções na nossa incipiente arquitetura, que aliás, também apresso-me a dizer, é gloriosa! Estes, não são achados facilmente. Estão a quilômetros de distância da cadeia do gosto maquiado (e do desgosto do dia seguinte) de que a Casa Cor é somente a parte mais visível.E para que a gente não saia por aí dando tapas na cabeça por sermos os goianos nos mares desta e de outras mediocridades, aqui vai mais um consolo.

A Casa Cor é uma espécie de franchising nacional e acontece tal e qual em praticamente todas as praças onde há os ditos arquitetos ávidos por clientela-novista e, em contrapartida, as pessoas inseguras que não sabem bem como gastar o dinheiro que têm.Decididamente, para parecer ainda mais cruel, acho que Deus está dando asas às cobras.

PX Silveira é documentarista e autor de Arquitetura do Espelho

quinta-feira, maio 15, 2008

MAU CHEIRO NA CULTURA:OPS!

Opinião (15/05/2008)
Os jornais e o fim do mundo
Para além da repercussão que suas páginas ecoam nos mais diversos tipos de leitores, acho gratificante escrever no Diário da Manhã porque a paga é maior que a de qualquer outro órgão da imprensa brasileira.

Aqui, é a liberdade que nos é oferecida em contrapartida ao ato de escrever e ler. Ela é praticada até as últimas conseqüências, por ambos os lados: seja a liberdade do articulista que traz a público suas idéias, seja a do jornal que as respeita e as veicula. Não poderia ser diferente, haja vista a própria história deste jornal e a sua presença na ampla história goiana.

Portanto, tem sido assim que, como conseqüência pessoal, tenho trazido aqui não apenas minhas idéias, por vezes vagas e estapafúrdias, mas também algumas denúncias, sejam elas na área pública, em geral, ou na área cultural, especificamente.

Durante este tempo como articulista que, despretensiosamente, já vai reunindo uma meia centena de artigos, aprendi a não hesitar em apontar o que acho errado, mesmo que isso me custe ir contra amigos e companheiros ou quem assim esperava que fosse.

Devo confessar, contudo, que a sensação que tenho agora é que me iludia ao esperar que este esforço cívico à custa do sacrifício de certos relacionamentos viesse a apresentar alguns resultados práticos, se não a mim, ao menos à sociedade, que se veria melhorada a partir das referidas áreas específicas das minhas frustradas denúncias.

A maior dessas frustrações diz respeito ao mau cheiro que exalara descaradamente da Secretaria Municipal de Cultura. Tanto assim que foi exatamente este o título do artigo, aqui publicado alguns meses atrás e que trazia meu espanto diante do apoderamento por interesses privados daquele órgão da prefeitura.A coisa chegara a tal ponto que um seu diretor se via beneficiado seis vezes, simultaneamente, pelo resultado de um edital que tratava da distribuição de algo em torno de R$ 1,5 milhão de reais. O resultado do artigo foi muito tititi e, ao contrário do que se esperava, nada de ação ou sequer de explicação. Seja por parte do seu superior imediato, que na certa tinha lá seus interesses, seja por parte do próprio prefeito, que talvez pela falta de tempo para ler pequenos artigos nos jornais, tenha deixado passar essa oportunidade de enquadrar seus subordinados, tal como fora feito exemplarmente em tantas outras ocasiões ao longo de sua brilhante história como político e administrador.

E o motivo pelo qual me vêm essas lembranças jornaleiras é saber pela imprensa que, como conseqüência das denúncias, não só nada foi feito, inclusive pelo Ministério Público, como o protagonista principal foi agora premiado com a mais alta promoção possível naquela Casa do Povo, ascendendo ao posto de secretário.

Contra esse senhor, agora mui digníssimo secretário, nada tenho de pessoal, só mesmo de social e coletivo, contagiado pelas aspirações de uma enorme legião que produz dignamente sua arte e espera que ela seja de alguma maneira respaldada por uma política cultural, que afinal nunca se apresentou nessa administração.

E diga-se de passagem: as denúncias às quais me refiro foram posteriormente registradas por repórteres e outros jornalistas da imprensa goiana. Ou seja, vieram à luz em outras ocasiões. E nada, repito, absolutamente nada foi feito. Da parte do então secretário, ouviu-se a respeito tão-somente um enorme e estratégico silêncio.

E da parte do prefeito, bem, já dissemos, ele não tem tempo para ler as folhas da cultura na imprensa goiana. Só pode ser esse o motivo.Mas daí, da sutil indiferença, a distinguir o feitor destinando-o para um posto decisivo e de grande visibilidade em sua administração, há um passo demasiadamente largo e que é preciso que seja reconsiderado, a tempo. De outra forma, senhores, de nada adiantaria a liberdade de um jornal, sempre arriscada a desagradar aos poderosos; de nada adiantaria o desprendimento de articulistas sérios e comedidos; de nada adiantaria o espanto diante das coisas que percebemos injustas; e de nada adiantaria nossa indignação, que é a última trincheira da fé pública.

Ou então o mundo e essa prefeitura é assim mesmo e só eu que ainda não percebi?

PX Silveira é vice-presidente do Instituto Pensarte e coordenador do Porto das Artes
Fonte: Goiânia, 15 de maio de 2008, quinta-feira, edição nº 7496 DM - OPINIÃO